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“… a esperança não confunde…”

Então!? Você, está cansado de esperar? Aguardando algum sinal dos céus?

Vou te contar uma história sobre o que significa esperar!

Os Cubs de Chicago, um dos principais times de baseball dos Estados Unidos, venceram a World Series depois de uma espera de 108 anos. Isso mesmo, depois de vencer em 1907 e 1908, eles tiveram de esperar mais de um século para comemorar novamente um título da MLB. No dia 02 de novembro de 2016, madrugada brasileira, enfrentando os Indians de Cleveland, os Cubs, disputaram o jogo 7, depois de estarem perdendo de 3 a 1 na série final. O seu adversário, os Indians da cidade de Cleveland, também estava à espera e continua, há 68 anos, ou seja, seu último título data de 1948. Enfim, juntando os anos de espera de ambos, temos quase dois séculos de espera! Havia nesse jogo experiência de sobra quanto ao quesito esperar pelo momento de glória!

Num jogo disputadíssimo com empate na última rodada, necessitando de uma rodada extra – um tipo de prorrogação – quando todos acharam que a partida seria enfim resolvida… a última partida, uma espécie de exorcismo da maldição, um prenúncio apocalíptico dos esportes, de repente foi interrompida por uma forte chuva, daquelas que aparecem em filmes de terror, que remexe a terra do cemitério que ladeia a capela, que está sempre com portões abertos e sendo vigiado pelo coveiro mais sinistro da cidade. A chuva causou outra espera, uma espera a mais, uma espera de alguns minutos, para quem já aguardava 108 anos. E pedir alguém que espera anos que espere alguns minutos mais, é um verdadeiro sacrilégio! E enquanto eu esperava, junto com os Cubs e os Indians, comecei a pensar um pouco mais sobre a espera.

Por que vinculamos à espera, o tempo? Por que nos preocupamos com o tempo que será gasto enquanto esperamos? Por que o tempo se torna mais importante do que as demais coisas que estão em torno de uma espera? Sim, pois há muito mais do que o tempo a ser observado quando esperamos.

Imagina os torcedores dos Cubs que há 108 anos ao início de cada temporada, diziam: “- Esse ano é nosso! Nada vai atrapalhar nosso time!” e quantas vezes não se decepcionaram! Eles tiverem que torcer de maneira diferente dos demais. Foram levados a amar além dos títulos! Rumaram por um caminho acima dos resultados! Vincularam-se por um amor incondicional! Pessoas e mais pessoas transmitiram o espírito da espera, sem provar de sua realização! Nesses 108 anos, uma geração inteira nasceu e morreu, esperando! Vivendo tão somente pela esperança! Os títulos nunca foram a motivação deles, mas a esperança de um dia obtê-los, fazia-se a maior inspiração de cada um durante esse período. É uma conquista dos vivos, é claro! Mas também daqueles que – hoje mortos, antes – perpetuaram uma síndrome chamada esperança! Que geraram uma torcida, uma geração que estava preparada para esperar por mais 108 anos, afinal, nunca sobreviveram, ou amaram o time por causa de títulos! A espera dos Cubs é retratação esportiva da espera cristã. É uma espécie de tipologia dos esportes acerca da igreja que aguarda o retorno de seu Mestre. As gerações passam, e a esperança continua forte, e vivaz como se Jesus tivesse sido assunto aos céus nesse momento! O amor é perpetuado independente dos resultados! Quem adere ou recebe tal espírito por herança, entende que esperar é o lema e esquecer o tempo é uma arte aprendida. Sobre os Cubs, é tão forte a maneira como esperaram, que o tempo se tornou insignificante, apesar de se tratar de 108 anos.

E pode ser que…

Quando as festividades da conquista terminarem. Quando o champagne estiver quente e sem sua efervescência. Quando um novo campeonato começar… O que eles vão esperar? A esperança deles estará em que? Qual expectativa? É bem provável que os Cubs, sintam falta daqueles minutos que antecederam a conquista! Pode ser que sejam assaltados em seus pensamentos por saudosamente lembrarem-se daquela chuva que prorrogou ainda mais, mesmo que alguns minutos, a espera para a glória!

Eles então descobrirão que, o melhor da festa é esperar por ela!

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Só fico triste quando vejo quebra-cabeças formados, colados em um compensado e transformados em quadros. O quebra-cabeças foi assassinado. Ninguém poderá ter mais o prazer de montá-lo. O quadro é a sua urna funerária”.

 Rubem Alves

Eu era adepto de assassinar quebra-cabeças, embora nunca tenha participado de uma caçada desse tipo. Admirava os troféus pendidos nas paredes, como quem observa as cabeças dos prêmios, daqueles que fazem safáris e colecionam gnus, antílopes, leopardos e leões. A mim, as peças só faziam sentido se estivessem mortas, uma ao lado da outra, silenciadas pela moldura que envolvia, a cola que as tornava estáticas, o acrílico sufocante à frente e o prego que centralizava aquela arte morta nas paredes. Assim eu era em relação aos quebra-cabeças emoldurados.

Até que uma boa nova chegou ao meu pequeno mundo. Um evangelho dos jogos, uma revelação dos brinquedos sem idade definida, um apocalipse dos jogos didáticos. As palavras e o responsável por tais transformações, citados acima, proclamam a libertação dos quebra-cabeças e se possível, nos últimos dias, a ressurreição deles!

E foi de fato uma conversão. De repente eu me entristeci das vezes que me deleitava diante de um quebra-cabeças abatido. Sofri de culpa por longos elogios pelo aprisionamento de todos eles. E envergonhado pelo olhar insensível, chorei… e tão logo percebi que não era apenas por causa de um jogo que eu me ressentia, mas por uma vida inteira que teima em ser quebra-cabeças, e eu reluto em que ela esteja enquadrada, emoldurada.

Vida enquadrada é quebra-cabeças do diabo. Quebra-cabeças acabado, não tem mais graça. Vida acabada, realmente já acabou. E tentar montar a vida e emoldurá-la é projeto do cão. Vida boa é aquela que nos desafia! Por incrível que pareça, a vida pulsa quando as peças estão misturadas, quando o encaixe das peças se faz difícil e desafiador. Essa é de fato a vida que Deus dá. Vida arrumadinha e prestes a ser emoldurada é tentação do diabo. Vida que Deus dá, é quebra-cabeças inacabado, livre, solto, que gera frio na barriga pela expectativa de vir a dar certo, ou também errado, e ter de começar tudo de novo.

Quando Jesus se encontrava no deserto, logo após seu batismo, estavam as peças todas desarrumadas à sua frente, misturadas, sem encaixe. Fome sem pão. Poder sem permissão de sua execução. Rei sem reino. O diabo então propôs arrumar tudo, encaixar as peças e emoldurá-las. A tentação se faz em resolver todo mistério. Como diria Quintana, o Mário: “Não desças, não subas, fica./ O mistério está é na tua vida!” Fazer com que o jogo não aconteça. Encerrar o prazer da brincadeira. Negociar o prazer de viver misteriosamente o encaixe das peças, pelo desprazer do quebra-cabeças encerrado, é cair, descer, ceder à proposta tentadora de abraçar o quebra-cabeças do diabo.

E como em todo quebra-cabeças, há riscos de que peças se percam, que outras nunca venham a se encaixar, risco do quebra-cabeças se tornar incompleto pra sempre. O falecimento do filho, é peça perdida no quebra-cabeças da vida. O casamento que se desfez, é peça que não se encaixou. Enfermidade crônica, uma peça nas mãos que hesitamos encaixar no jogo. A saudade dos falecidos. A casa antiga que foi demolida. A rejeição alheia. Existem peças que parecem pertencer a outros quebra-cabeças, peças que funcionariam em outra vida, ou que não deveriam estar em nossa vida. Afinal, temos a ilusão de terminar o nosso quebra-cabeças! Ou seria a tentação?

Um quebra-cabeça inacabado, tal como a vida, roga apenas que os que brincam, não pensem nunca em terminar, apenas jogar até…

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“(…)Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!

Hosana nas maiores alturas!” Mateus 21.9

Hosana, a expressão mais palpável do pedido de socorro dos judeus! O momento político em Jerusalém era crítico. Os romanos cada vez mais pesavam sobre o povo o jugo dos impostos. A condução da Pax Romana, a pacificação imposta por Roma, assim como causava resultados, feria a liberdade do povo e seus costumes. Havia uma insatisfação por parte do povo por ser conduzido por aqueles que vencendo deixaram marcas terríveis em cada povo conquistado. Diante de tudo isso, havia uma expectativa imensa de que o Messias proclamado pelos profetas estava por chegar, mas ao mesmo tempo o que o povo e principalmente os judeus aguardavam era um Messias que realizaria a vontade imediata, terrenal e política.

Assim sendo, aos brados de Hosana!Hosana!Hosana! mesmo montado num jumento, Jesus é aclamado como aquele que iria salvar o povo de sua miséria imediata. O que significa Hosana? Este bravo reverbera a necessidade e urgência do momento. Hosana quer dizer: Salva-nos agora! Na concepção do povo, eles precisavam da salvação política, ou seja, de serem libertados do peso de Roma sobre eles e não mais poderiam esperar.

Muitas serão as interpretações desse texto em comparação com a atual crise política enfrentada pelo Brasil. Porém, entendo que ainda que como os judeus roguemos pressa e ações de acordo com o nosso entender de justiça, só Deus sabe o que é melhor para todos nós, como só Deus sabia o que era melhor para os judeus.

Mediante o exposto, quer pelos meios de comunicação, ou pela maneira como acompanhando a vida política, pode-se perceber, há sem questionamento uma urgência profunda que a condução política do Brasil seja mudada – e nenhum nome hoje é visto como capaz de realizar tal proeza. Por isso, os brados de Hosana, são mais do que oportunos nos dias atuais. Aquele mesmo que ouviu em Jerusalém, precisa ouvir da boca dos brasileiros o pedido de socorro tupiniquim.

A diferença entre ontem(tempo de Jesus) e hoje(dias atuais) é que, naquele momento entendia-se que Jesus os salvaria apenas politicamente, hoje se entende que o mesmo Jesus, só salva espiritualmente. Um país que está chafurdado na lama da imoralidade política, necessita tanto de um como de outro para resgate total de uma nação.

Para tal, os que bradam Hosana, e espera-se que estes brados surjam da igreja de Cristo, devem, sobretudo se resguardarem, ou seja, não adianta gritar num dia Hosana, e no dia seguinte Crucifica-o. Sendo mais prático, hoje, diante de tanta atrocidade, o culto do Senhor necessita começar no templo, ou onde for o lugar de reunião das pessoas, e não ser interrompido durante a semana. Ele deve ser algo comunitário, mas também estendido na solidão do crente em trabalho com outras pessoas. Deve ser tão relevante, capaz de sair pelas portas da igreja e avançar pelos crentes os lugares mais altos desse país. E ser tal maneira coerente e impactante, que a resposta dos gritam Hosana alcançará êxito!

Êxito pelo Cristo que vivendo no crente coerente, salvará um país política e espiritualmente!

Hosana sim! Mas sem deixar de ser a igreja a resposta para o pedido de socorro!

Hosana nas maiores alturas sim! Mas sem que a igreja se esqueça da terra que sofre por sua ausência de relevância! Ocupemos os lugares deixados; nas novas oportunidades nãos desperdicemos como antes e no momento de vitória, glorifiquemos a quem clamamos O: Hosana!

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Quem disse que o carnaval acabou?

Eles eram tracionados por força humana. Os mais vigorosos, vibrantes e “raçudos” do barracão se encarregavam de conduzi-los por toda a extensão da avenida. Assim os carros alegóricos desfilavam ao longo da avenida.

Imponentes com suas cores e luzes, cooptavam os olhares dos expectadores ao conduzir sobre suas plataformas os destaques da Escola de samba. Os carros alegóricos sempre foram um show à parte. Principalmente quando depois de contagiar toda a plateia, ao passar pela mesma, revelava o que estava por detrás deles. Antigamente não havia o cuidado com os acabamentos, então era pura decepção, ver os carros pelo ângulo diferente.

Alegoria, modo indireto de representar uma coisa ou uma ideia sob a aparência de outra. É ou não é o carnaval, a retratação de uma sociedade que insiste em viver alegoricamente as suas relações – sociais, amorosas, religiosas…? É então agora, quando o carnaval encerrou a sua apresentação máxima, que a verdadeira alegoria da vida se permite alçar voos para todos os lados da vida. Não é apenas na Bahia que o carnaval acontece o ano inteiro – e que alcunha preconceituosa. O carnaval com sua alegoria reinante acontece o ano inteiro nas raias sócio-politica-econômica-religiosas desse país! Há alegorias e carros alegóricos por todos os lados! Nas diferentes sendas da sociedade encontramos pessoas que vestem suas fantasias, usam suas máscaras, seduzem por meio das alegorias, subvertem com brilhos ilícitos, enganam através de sorrisos montados e verbalizam como letras que servem apenas para o momento de torpor carnavalesco, e tais pessoas, não o fazem por apenas quatro dias ou uma semana, mas vestem a existência do tom do carnaval com toda a alegoria que pode tal festa conter.

Elas se concentram nas decisões que rumam um país para a derrocada política. Tais foliões são capazes de até dobrarem os joelhos, numa alegoria perfeita da religião, enquanto os corações permanecem pendidos para o mau. Eles empurram os carros alegóricos – instituições (financeiras, políticas, religiosas…) vazias, corrompidas, transmutadas à imagem e semelhança deles próprios – com ardor insuperável. E igualmente o que ocorria na avenida há alguns anos, os fundos revelavam o que realmente era toda aquela encenação.

As redes sociais estão catequizando com toda autoridade cada vez mais foliões dessa extirpe. Pelas imagens se alegoriza até os sentimentos! E os expectadores – seguidores – sabem que é uma relação apenas imagética! A alegoria depende de uma mentalidade escravizada pela imagem, que ainda que se possua a realidade, o melhor é acreditar apenas no que os foliões do carnaval ad eternus transmitem por suas máscaras.

Difícil caminhar em terras em que o carnaval encontra o seu apogeu, justamente quando ele encerra suas atividades oficiais.

Então, prepare-se e assista o bloco passar, pois quando os seus olhos captarem a verdade, os carros alegóricos e seus foliões se mostrarão o que verdadeiramente são e o que realmente representam, e olha que não estou falando de nenhuma escola de samba, mas do modo em que muitos de nós insistimos em viver.

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E VAI TER GENTE ACHANDO QUE É SOBRE UMA VIDA FITNESS…

Longe de mim querer que alguém permaneça infeliz, apenas por acreditar no permanecer. Longe de mim estabelecer uma ligação ingênua entre o jazer, continuar e a felicidade… só que existem celebrações que ocorrem apenas na teimosia. É na insistência calculada, na oportunidade renovada, no empacar dos de burro “brabo” – burro brabo é mais terrível que burro bravo – que a festa da conquista surge. E pode ser a conquista de algo como metas, alvos, tesouros diferentes do ouro. Pode ser a conquista de outros, de atitudes de outros, de gente escondida por causa de gente, valores que não precisam do $ para ser valorizado. E ainda pode ser a conquista de si mesmo, da mente esvaziada, escravizada e mecanizada, do espírito fugidio, arredio, empobrecido, do corpo esmaecido, largado, esquecido.

Cheguei à academia onde estou há quase 7 anos. Nenhuma busca estética, nada de mudança de hábito alimentar, nem sequer rompimento com sedentarismo,… um remédio antisstress, que como se sabe, traz em si os efeitos colaterais ditos anteriormente e que eu não buscava. Naquele dia, mais do que normal, eu estava muito cansado. De todos os tipos e em todas as partes eu estava fatigado. Pus os pés na academia às 7h35min como de costume e já estava resoluto de que às 7h40min sairia pela mesma porta que entrei. O bom dia das pessoas me soava estranho; os aparelhos mais pesados; o som, ligeiramente alto, não me despertou; nem o cheiro do café que surgia da sala do dono da academia me fez interessado em continuar ali… Foi que um simples papel, contendo novidades nele inseridas, que causou minha abrupta transformação. A minha professora disse com sorriso de carrasco nos olhos – todo profissional de educação física tem um sorriso assim – “Bom dia! Série nova! Aproveite!” Eu a ouvi dizendo: Lázaro, sai para fora! Ressuscitei quando em minhas mãos uma nova série foi entregue! Novos exercícios, novos grupamentos de músculos a serem trabalhados, novos posicionamentos, outras cargas… e até novas dores. Ir embora por quê? Um novo desafio acabava de chegar a mim, e precisava vencê-lo. Fiquei, permaneci e fui recompensado com um dos melhores treinos. Não porque a série nova era melhor que outra, também, mas porque fechei o plano de burlar a mim e com insistência sobrepujei a mim mesmo.

Não troque de casa, mude sua casa. Não troque de cidade, experimente passar por ruas diferentes. Não troque de restaurante, que tal voltar no dia e horário em que o salmão esteja mais fresco? Não troque de livro, mude sua leitura. Não troque de pessoas, mude a forma como se relaciona com elas. Não troque de cor, mude seu sorriso. Não troque de céu, espere as estrelas chegarem. Não troque de cônjuge, mude a si e mudará o outro pra você também. Não troque de mecânico, mude a maneira de guiar. Não troque de amigos, mude sua amizade. Não troque de tela, dê dois passos à frente, ou atrás, e tudo mudará. Não troque de pássaro, solte-o. Não troque de andar, experimente as escadas. Não troque de jardim, use a tesoura. Não troque de tom, desafinar é uma arte. Não troque de dieta, ame-se também! Não troque de caminho, chegue um pouco à sombra. Não troque de bom dia, ele um dia vencerá! Não troque de lugar, passe um repelente. Não troque de praia, espere a próxima onda.

Não troque de Jesus, mude seu coração. Não troque de academia, mude sua série.

 

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Riu-se, pois, Sara no seu íntimo, dizendo consigo mesma:

Depois de velha, e velho também o meu senhor, terei ainda prazer?.

Gênesis 18.12

Será que os adolescentes, os jovens, os adultos mais novos e os que se aproximam da terceira idade ainda não perceberam que a alegria não respeita os idosos? Sim, a alegria nem mesmo ouviu falar de estatuto dos idosos, ou de expressões que agora cabem melhor para se referir aos idosos. Ela não está preocupada no que os idosos vão pensar e por isso continua ultrapassando os limites do politicamente correto, e alcançando os “velhos e velhas” que se fazem vulneráveis por aí.

Sara, assim como a nossa juventude, não sabia disso. Por isso, achou graça, quando os céus representados por um distinto grupo diplomático, visitou sua casa e comunicou a ela e seu esposo mensagem celestial, a saber, que ambos iriam ter um filho na terceira idade. Ele riu bem nas entranhas e se perguntou, como terei ainda prazer? Ah, se a Sara morasse um pouquinho mais perto da Adélia! Mas foram vizinhas distanciadas pelo tempo… A Adélia Prado, minha geriatra favorita, teria dito à sua vizinha distante:

Eu sempre sonho que uma coisa gera,

Nunca nada está morto.

O que não parece vivo, aduba.

O que parece estático, espera.

Creio que a pergunta de Sara, no coração dos mais jovens, se transmuta e se torna a seguinte indagação: Há prazer na velhice? Como alguns conseguem na velhice sorrir? Na terceira idade ainda há condições de ser alegre? Será que conseguirei ser um idoso que vive a realidade da alegria?

Apesar de algumas realidades tão estampadas às vistas dos jovens, há a insistência em ver as que não traduzem a verdade da terceira idade. A estética estereotipada por uma geração sempre será vencida pelo tempo. A pele esticada, a musculatura rija e torneada, o abdômen negativado, o look ousado e extravagante, … com o tempo, tudo isso deixará ou se tornará menos importante, ou menos central na vida. Outro geriatra, categorizado assim de imediato, o poeta TS Eliott, aguça essa mania de vislumbrar o que não fundamenta a alegria do ser em idades avançadas, ele diz:

E eles dirão: ‘Seu cabelo, como está ralo!’

Meu casaco distinto, meu colarinho impecável,

Minha gravata elegante e discreta,

confirmada por um alfinete solitário –

Mas eles dirão: ‘Seus braços e pernas,

que finos que estão!’

Os olhos de Sara, os seus, os meus, nem sempre compreendem que é necessário ver como a alegria enxerga os idosos. Passarei daqui por diante a me expressar como a alegria faz, sem escrúpulo algum com os idosos.

A alegria não quer saber se o velho decidiu aposentar-se – a palavra aposentar já sugere uma vida nos aposentos. Ela abre a porta da casa, ruma aos aposentos e diz: Hei velhino! (aqui é preciso ler com a voz do Pernalonga). Não há em seu vocabulário Terceira idade, pois ela não observa idade para se ramificar na vida de alguém! Poderia ser até Metusalém com sua 5ª ou 6ª idade – a alegria não se importa com isso! Há graça, riso, disponível até quando os céus estão sisudos para comunicar algo importante e sério! Sara não debochou dos céus, ela riu! Algo que deveria ser comum entre os velhos e algo que os jovens deveriam saber que é mais do que possível! O riso que assaltou as entranhas de Sara, é o mesmo que duela com a gente – basta alguém falar: “ Não pode rir aqui!” “Agora fica quietinho. Não pode rir!” Que vontade de gargalhar quando se ouve isso!

Tem gente que insiste quando se chega à terceira idade: “Agora não pode mais rir!”

Creio que foi essa vontade descontrolada que assaltou Sara quando recebeu a mensagem celestial! Creio que essa vontade deve permanecer para sempre, para quando chegar a última mensagem celestial, nos despedir sorrindo. Por quê?! Ah! Você já sabe! Quando não se pode rir…

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 “Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos,

mas sob a tua palavra lançarei as redes.”

Evangelho segundo Lucas

 Todo fim precede um começo. Não há como começar um Novo Ano, sem a morte do ano em questão. As sementes fenecem para brotar. Os rios terminam e começam os mares. O fogo se apaga e inicia o jantar. O ventre murcha, acaba e a vida começa a ser contada. O pássaro pousa e a noite se inicia. O vento morre então a chuvarada cai. A flor é cortada, ferida, levada à morte e então nasce o buquê da noiva. A pessoa falece e para sempre nasce no peito a saudade. TS Eliott já dizia, “(…)no meu fim está o meu começo” . O fim precisa existir. O começo carece de a existência vir a ser inexistência.

Eles estavam no final de uma jornada. Penso que haviam passado dias atrás dos peixes. Horas e horas lançando as redes e tudo o que subia à embarcação era frustração. Os braços extenuados clamavam pelo retorno precipitado, mas as obrigações eram mais convincentes do que o desastre da pescaria mais infrutífera do mundo. Assim fizeram por horas e dias, até que sem provisão suficiente, e já combalidos por tantas vezes olharem para a rede vazia, os pescadores decidiram voltar à terra firme.

Não havia ninguém na praia quando chegaram. Que sorte! Nenhum curioso para presenciar a pescaria mais desastrosa do oriente. Mas enquanto eles rapidamente concertavam as redes para fugirem do barco da vergonha, surge Jesus, e junto dele uma multidão. Quem teria contado a ele? Quem teria avisado para aquele povo que pescadores sem peixe estavam desembarcando naquele lugar e àquela hora?

Redes furadas, embarcações vazias, tripulação extenuada… lembro-me de Carlos Drummond de Andrade, quando sentindo o fim e nele o ressurgir do novo começo ele diz: “Doze meses dão pra qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”.

A pesca havia terminado – e de maneira trágica para qualquer pescador, mas havia um amanhã novinho em folha surgindo em Genesaré, e isso significava que as possibilidades de que as coisas fossem diferentes das ocorridas na noite anterior, na jornada anterior, estavam bem próximas de se tornarem fatos. O amanhã pode ser diferente. A morte da noite precede o nascimento da manhã, e com ela o renovo alcança os que cansados consertam suas redes na existência. Ah! O milagre da renovação!

Jesus decide embarcar num dos tristes batéis e assumindo-o como novo comandante ordena lançarem as redes mal consertadas pela escassez de tempo na praia rasa e sem possibilidades de boa pesca. Surpresa de todos! Os barcos recebem um enxame, um rebanho, uma constelação, um coletivo de tudo o que existe de peixes! Quem diria, que após jornada horrenda, após nefasta madrugada, haveria um amanhã coroado de glória?!

O ano que acaba de morrer, pode ter sido a sua experiência da madrugada mais extensa de sua vida! Ele pode ter significado a rede mais avariada que já chegou a suas mãos. O ano que acaba de fenecer pode ter sido a embarcação mais vazia a aportar numa praia de pescadores. Ele pode ter marcado você de derrotas, frustrações, vergonhas, luto, ódio, mágoa, tristeza, surpresas ruins, tropeços e avarias incalculáveis,… ele pode ter sido a pesca mais desastrosa do seu mar. Ainda assim, ele não existe mais. Ele morreu para que o milagre do renovo encontre sua vida e se torne seu principal timoneiro. O amanhã será diferente. Porque todo amanhã nasce da morte do ontem. Apenas isso, e estarei convencido de que a praia do amanhã sempre renovará minha alma.