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Archive for the ‘Nárnia – hoje e sempre’ Category

Ao dormir sobre o tesouro de

um dragão, com pensamentos gananciosos, típicos

de um dragão, ele próprio acabara se

transformando em dragão.

C.S. Lewis

As Crônicas de Nárnia, A Viagem do Peregrino da Alvorada

 

Quem foi criado em meio a histórias encantadas sabe que dragões e tesouros estão sempre próximos. As antigas civilizações também acreditavam nessa analogia existencial, ou seja, um não existe sem o outro, e vamos combinar, boas são as histórias em que dragões e tesouros existem.

Os tesouros são ímãs de corações humanos. Basta saber de um deles que o coração palpita. Não é necessário ver um deles, ou ter mapas para encontrá-los, para que o coração bata forte por tesouros, basta acreditar em tesouros. Geralmente estão escondidos, sob a terra, em ilhas distantes, residente em áreas inóspitas, de difícil acesso, lugares que nem se sabe de sua existência. As Escrituras Sagradas, quando se referem ao tesouro divino, o Reino dos céus, elas dizem: “O Reino do Céu é como um tesouro escondido num campo…”. Geralmente, a preciosidade do tesouro abisma. Há brilho, resplendor, há glória contida nos tesouros. Sejam ouros, diamantes, braceletes, pérolas, seja o que for, transmite tacitamente a mensagem de transformação. Os tesouros condicionam o ser humano a uma transformação, principalmente se forem encantados. Em “O Conde de Monte Cristo”, Alexandre Dumas, autor do romance, pode evidenciar a maneira como o tesouro transforma. Edmond Dantes, principal personagem, após encontrar-se com um misterioso tesouro, é levado a vingar-se daqueles que injustamente lhe aprisionaram por anos. Um tesouro pode mudar… 

Os dragões são figuras míticas indeléveis, gosto deles, só tenho restrição com os de várias cabeças. Não gostava do Tiamat, (Caverna dos Dragões), dragões assim não possuem muita persanalidade. O dragões são geralmente vistos com muito terror, pelo tamanho que é apresentado, narinas e boca cuspidoras de fogo, vôos longos, força sem medida e apesar disso desaparecem do nada. Escamas, pernas articuladas, caudal, com asas de morcego – porém gigantes asas. Uma figura que sempre foi associa ao mau, à vileza, …

Como algo tão glorioso, pode ser harmônico ao que se faz tão asqueroso? O que faz com que os dragões e o os tesouros permaneçam juntos como num matrimônio perfeito?

Os pensamentos humanos são capazes dessa magia. Há tantos tesouros pós-modernos hoje. E os dragões, aqueles medievais, se transmutarem em uma nova geração de dragões muito mais aperfeiçoados e até pós-doutorados podem eles ser. As cavernas onde eles guardavam com gana e garras, se modernizaram e são chamados de centros financeiros, educacionais, políticos, religiosos, desportivos, … e as vezes vemos um dragãozinho ali, outro acolá. O que intriga é o encantamento continua mais ativo do que nos tempos medievais. Quando achamos que vamos nos ver livres de certo clã de dragões, vem alguém e … basta uma soneca sobre o tesouro deixado e, tudo volta a acontecer. As pessoas com suas ambições excessivas, se transmutam a cada dia em dragões e não se aperceberam disso. É puro encantamento. Ah! E se você disser para si mesmo: “A minha ambição não se tornou excessiva!”, prepare-se para arranjar uma caverna pós-moderna bem espaçosa, outros dragões começaram por esse caminho, o da negação. O Evangelho já avisou: “…porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Onde está o teu tesouro? Não se engane com os tesouros alheios, são puro encantamento. Busque o tesouro que está à tua espera.

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Espero encontrar o próprio país de Aslam!

É sempre do Oriente, através do mar,

 que o Grande Leão vem encontrar-se conosco. C.S. Lewis

As Crônicas de Nárnia, A Viagem do Peregrino da Alvorada

 

Esperança, é o que move há séculos pessoas, povos, nações, religiões… ela é a grande responsável pelas reviravoltas na vida; por ela as situações adversas foram vencidas e pequenos se fizeram grandes.

Creio que o melhor uso de tal palavra – esperança – é quando a mesma se refere às mulheres que estão gestando, e assim, alguém pode dizer: “Flávia, a minha esposa está esperando um filho…” e mediante o “esperando” se agrega: o que se espera – menino ou menina; quem se espera – Fernanda, Bernardo, Mateus, João Vitor, Henrique, Marcela, …, depois, a que momento se espera: março, junho, agosto,… que forma se espera: a cor dos olhos, os traços do nariz, cabelos, ou a ausência deles,… quanto se espera: quantos centímetros, quantos quilos, e por aís em diante. Além disso, a mulher que espera, é agente multiplicador, fazendo com que o esperado, ao vir à luz, encontra muito mais de uma pessoa a sua espera, assim, além da gestante, que literalmente espera, com ela tantos e tantos esperam também. Quem espera – quem tem esperança – contagia!

A fé, por vezes é misturada com a esperança e tendo ainda em mente a grávida simbólica da esperança encontramos que tal como a fé, a esperança da gestante é motivada por uma sementinha. O grão de mostarda – fé, e o grão de gente – óvulo, é diminuta motivação para que vidas mudam completamente. As sagradas escrituras lembram que “…a fé é a certeza de coisas que se esperam…

Tudo se transforma quando se espera, se aguarda por algo. E ter esperança é de fato transformador. Ripchip, um rato falante de As Crônicas Nárnia, é transformado quando esboça sua enorme esperança de encontrar o Grande Leão. Toda a sua excentricidade em utilizar tanto a espada como a língua, pois o mesmo se faz como grande esgrimista e orador, é transformada em eloqüência e objetivo definido. O que ele deseja agora, não é mais se afirmar na ponta da espada, mas encontrar Aslan. Quem tem esperança, sofre transformações. Quem espera não o faz com letargia ou múltiplo olhar. Os que esperam tem certeza de que encontrarão o que lhes motiva viver.

A narrativa ganha vida depois do roedor fazer tal declaração. É como se o Peregrino, todo ele só pensasse numa coisa: encontrar o Grande Leão. De um pequeno, todo o pesado e grandioso navio passa a navegar, isso porque o pequeno o impulsionou através da esperança.

Sim, depois de Ripchip, ser comparado com um rato não é nada ruim.

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Acho que quase todos nós temos um país secreto,

 que, para a maioria, é apenas um país imaginário.” C.S. Lewis

As Crônicas de Nárnia, A Viagem do Peregrino da Alvorada

 

Pois que seja, se for fuga, os que empreendem uma jornada por mundos imaginários.

De um país secreto é o que precisa o ser humano pós-moderno. Um país que não se é compreendido por mentes mecanicistas, nem por raciocínios industriais… mas por pessoas que fatigadas desejam águas tranqüilas e verdes campos para correr livremente. Engraçado, não é? Se se sentem cansadas, não deveriam desejar corridas nos prados. Todavia, correr livremente não cansa. É um rito de exaltação à liberdade. Não se pode comparar uma corrida em verdes pastos com minutos de corpo lançado às esteiras das academias. Nos países secretos, toda busca pela felicidade é ritual exercido sem formalidades institucionais.

“É tão misterioso, o país das lágrimas!” diria Saint-Exupéry, autor de “O Pequeno Príncipe”, para muito um país secreto. E os países misteriosos e secretos cativam, quando o que temos é apenas a realidade (Perdo-me, mestre Lewis, sei que a relidade educa, forja e forma o ser humano que se volta sempre à ilusão, mas na tua ilusão, ou melhor, no teu imaginário, enriqueço-me. É magia profunda o que ocorre, e só ocorre nesse país secreto chamado Nárnia). Confissão feita, perdão concedido.

O que se vê, o que se é revelado na tangibilidade da vida, causa certo desespero e por isso, qualquer portal que nos leve a países secretos soa como bom convite – é importante lembrar que há portais tenebrosos, que retiram de nós o convívio com a realidade, que deturpa o ser humano e o destrói. Porém, há um portal enriquecedor que se abre por anéis mágicos, cujo país secreto se revela no anseio de construir o ser humano com um misto de magia, beleza e encantamento.

Meu desejo em ter um país secreto foi saciado em Nárnia. Nele eu me escondo; minha prece, a da Adélia Prado – “Ah! Meu Deus me dá cinco anos! Me cura de ser grande!” – é ouvida e vivo, não uma infância à moda Peter Pan, mas uma leveza que foge ao entendimento dos de corações duros. É isso! Em Nárnia não olho à volta, não vejo a mim, não busco comparações e nem me importo com as exigências, meus olhares estão fitos na magia que permeia cada centímetro daquele país secreto, e mesmo na ausência do Grande Leão, lembro-me de Emily Dickinson que sabendo do poder que perdura disse: “A ausência da feiticeira /Não invalida o encantamento.

Ah! Que país secreto! Nele tenho paz! Mesmo que… para a maioria, é apenas um país imaginário.” Quando se trata de Nárnia, é diferente. Por mais que se saiba: é imaginário, quem um dia viveu por lá, desconfia, pois tudo se apresenta numa realidade factível, e as necessidades do real são preenchidas por esse mundo tão sublime. Por Nárnia deseja-se ser minoria, daqueles que já ultrapassaram o limiar e que agora vivem o país secreto e não apenas o imaginam.

Mais do que o mestre, sou levado a achar, que todos possuem um país secreto, mais nem todos se deixam levar por ele. Que Nárnia me guie, através de Nárnia, desse modo me sentirei em casa.

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